Adaptações de histórias em quadrinhos sempre rendem bons filmes. A interminável luta do bem contra o mal gera um sentimento de identificação universal que atrai milhões de espectadores e é garantia de renda alta para os estúdios. A expectativa em torno de “Watchmen – O Filme”, baseado nos quadrinhos de Alan Moore, não poderia ser diferente daquela vista com “Homem-Aranha” ou “Batman – O Cavaleiro das Trevas”.É difícil falar de uma adaptação ambiciosa como essa – são doze volumes condensados em um longo filme com pouco mais de duas horas e meia – sem ao menos conhecer a obra que o originou. Para aqueles que desconhecem a história, o filme de Zack Snyder (o mesmo diretor de “300”) não diz a que veio.
“Watchmen – O Filme” deve agradar apenas aos fãs ou iniciados, ou ainda aqueles que vêem alguma graça em efeitos visuais exagerados e ensurdecedores. Com uma história confusa que não leva a lugar nenhum e momentos tediantes encabeçados pelo mutante Mr. Manhantan (vivido por Billy Crudup, a única personagem que faz algum sentido afinal, por mais fantasioso que seja), o maior erro do filme é não definir se os “heróis” tem ou não super-poderes. O excesso de efeitos visuais e o fetiche pelas lutas em câmera lenta, ao já saturado estilo "Matrix", colocam o espectador em dúvida acerca de origem das personagens. Depois de alguns flashbacks – recurso muito utilizado pelo filme para explicar fatos do presente – que tornam o filme uma colcha de retalhos, entende-se que, na verdade, os heróis são apenas humanos. Portanto, é constrangedor vê-los em fantasias esdrúxulas que os fazem parecer uma Liga da Justiça do Paraguai.
Para piorar, coloca os heróis em situações no mínimo embaraçosas – como na cena em que a capacidade sexual do Coruja (vivido por Patrick Wilson) é colocada em dúvida – na tentativa de nos fazer lembrar que são humanos. “Hellboy” traz heróis com problemas de relacionamento com um pouco mais de naturalidade. Como se isso não bastasse, a seleção musical, que vai de “Unforgettable” a “Hallelujah” (a mesma usada em “Shrek”), torna algumas cenas irritantes.
O filme começa com o assassinato do Edward Blake (Jeffrey Dean Morgan), conhecido como o Comediante, um dos membros do Watchmen, um grupo de vigilantes criado nos anos 1940 para combater gangues que atacavam usando máscaras que dificultavam a identificação dos bandidos. Como uma brincadeira de criança, os vigilantes, membros da polícia, resolvem se unir e defender a cidade também fantasiados.
Com a Guerra Fria e um fictício governo Nixon – olha ele de novo – como pano de fundo, a história tenta apelar para um niilismo que não convence, a não ser pelo desempenho de James Earle Haley, o Rorschach. Afinal, como já sabemos como termina o conflito entre os Estados Unidos e a União Soviética, o plano executado por Ozymandias (Matthew Goode), o homem mais inteligente do mundo, que acabaria de uma vez com todas as possibilidades de uma guerra nuclear, parece estúpido e infantil. Cheio de clichês do gênero, como o questionamento se cabe a eles ou não salvar o mundo ou ainda heróis-aposentados-que-voltam-à-ativa (o que “Os Incríveis” faz bem melhor), “Watchmen” acaba com uma referência explícita ao 11 de setembro, o que também já deu o que tinha que dar. Como diz o Comdeiante, é uma grande piada. Pena que muito sem graça.
FICHA TÉCNICA
Título: "Watchmen – O Filme"
Título original: Watchmen
País: EUA
Ano: 2009
Direção: Zack Snyder
Roteiro: David Hayter e Alex Tse, baseado em HQ de Alan Moore e Dave Gibbons
Elenco principal: Patrick Wilson, Jeffrey Dean Morgan, Billy Crudup, Matthew Goode, Carla Gugino, James Earle Haley.
Duração: 163 min.
Gênero: Ação
Sinopse: Ambientado numa realidade fictícia norte-americana nos anos 80, um grupo de super-heróis aposentados começa a ter sua vida ameaçada. Rorschach (Jackie Earle Haley), detetive que usa uma máscara desfigurada, e o Coruja (Patrick Wilson) passam a investigar a identidade do vilão antes que suas próprias vidas corram perigo.
Estréia: 6 de março de 2009