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quinta-feira, 19 de março de 2009

Top 10 - Filmes baseados em HQs

Como essa semana não assisti nada que me inspirasse a escrever, resolvi inaugurar uma seção aqui no blog. Uma vez por mês você vai ver aqui uma lista de "10 mais" temática.

Aproveitando que estão em cartaz "Watchmen" e "The Spirit", o que também inspirou a Megazine, do jornal O Globo, a publicar uma matéria essa semana falando sobre as melhores e piores adaptações de quadrinhos para o cinema, resolvi começar com esse tema. Afinal, na natureza nada se cria, tudo se copia...rs

Mas antes da lista, quero deixar claro duas coisas: não sou um "conhecedor" de quadrinhos (acho que, na vida, só li mesmo a Turma da Mônica e alguma coisa dos X-Men) e também não considerei filmes feitos antes de 2000 (principalmente porque não os assisti). Daí justifica-se a ausência de "Superman - O Filme", por exemplo, considerado um dos melhores filmes baseados em quadrinhos por muita gente.

Portanto, para mim, as qualidades cinematográficos foram mais importantes que os méritos de fidelidade à obra original, por não conhecer as obras orginais.

Vamos a eles então:

10. Oldboy (2003)

Oh Dae-su é sequestrado e confinado em um quarto de hotel por 15 anos. Quando sai, só o que deseja é descobrir porque fizeram isso com ele e vingar-se. O filme do sul-coreano Chan-wook Park traz um dos finais mais surpreendentes que eu já assisti no cinema.

9. 300 (2006)

Baseado em quadrinhos de Frank Miller, "300" narra a batalha entre persas e espartanos, na Grécia Antiga. Com um visual arrebatador e muita tecnologia, o filme elevou a linguagem de filmes baseados em HQs a um novo patamar.

8. Homem de Ferro (2008)

Grande parte do sucesso de "Homem de Ferro" se deve ao carisma e talento de seu ator principal: Robert Downey Jr, que está sensacional como o herói. Mas o roteiro, que traz um humor refinado e cenas de ação espetaculares, também ajuda.

7. Anti-herói Americano (2003)

Nada de explosões ou lutas intermináveis. "American Splendor" (no original) é baseado em uma série de quadrinhos alternativos escritos pelo norte-americanos Hervey Pekar. No filme, mesclado com depoimentos reais do próprio, ele é vivido pelo ótimo Paul Giamatti. Com um tom tragicômico, conta a história da vida de Pekar, seu cotidiano, suas angústias e frustrações.

6. Sin City – A Cidade do Pecado (2005)

Mais um filme baseado em quadrinhos de Frank Miller. Dirigido pela dupla Robert Rodriguez e Quantin Tarantino, traz ótimos personagens, incluindo algumas figuras bem bizarras. Mistura de filme noir com "Kill Bill". E, claro, com direito a muito sangue!

5. Batman Begins (2005)

Christopher Nolan revolucionou a franquia do homem-morcego, ao retratar Gotham City de forma sombria e realista, muito diferente da Sapucaí criada por Joel Schumacher nos últimos filmes. Outro destaque foi a escolha do elenco, encabeçado pelo ótimo (e problemático) Christian Bale.

4. X-Men: O Confronto Final (2006)

Pode não ser o melhor filme dos mutantes, mas é o mais empolgante. Novos mutantes, o surgimento da Fênix Negra e a morte de três personagens demonstram uma certa ousadia de Brett Ratner. É o mais fiel à série animada, e por isso foi o que mais gostei.

3. Homem-Aranha 2 (2004)

Sam Raimi conseguiu superar o bom trabalho realizado no primeiro filme do Aranha. Com muito mais ação e humor, "Homem-Aranha 2" parece ser uma das adptações que melhor conseguiram traduzir a linguagem dos HQs para a tela grande.

2. V de Vingança (2005)

Tão violento quanto o seu próprio (anti-)herói é o impacto do filme no espectador. De forte conteúdo político, "V de Vingança" é baseada ne graphic novel de Alan Moore (o mesmo criado de Watchmen). A história se passa em uma Londres futurística, sob um governo totalitário, quando a jovem Evey é salva pelo anarquista e enigmático "V", que promove um levante contra a tirania e a opressão. Produzido pelos irmãos Wachowski (de "Matrix"), o filme discute os artifícios usados na política para a manutenção do poder.

1. Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008)

Como se já não fosse suficiente o feito de "Batman Begins", Nolan nos presenteia com um novo clássico do cinema. Um ator no auge de sua inspiração, uma história carregada de conteúdo político, roteiro recheado de frases marcantes, enfim, "The Dark Knight" não é só o melhor filme baseado em HQ mas é também um dos 10 melhores filmes produzidos nos últimos dez anos.

domingo, 8 de março de 2009

Muito barulho por nada

Adaptações de histórias em quadrinhos sempre rendem bons filmes. A interminável luta do bem contra o mal gera um sentimento de identificação universal que atrai milhões de espectadores e é garantia de renda alta para os estúdios. A expectativa em torno de “Watchmen – O Filme”, baseado nos quadrinhos de Alan Moore, não poderia ser diferente daquela vista com “Homem-Aranha” ou “Batman – O Cavaleiro das Trevas”.

É difícil falar de uma adaptação ambiciosa como essa – são doze volumes condensados em um longo filme com pouco mais de duas horas e meia – sem ao menos conhecer a obra que o originou. Para aqueles que desconhecem a história, o filme de Zack Snyder (o mesmo diretor de “300”) não diz a que veio.

“Watchmen – O Filme” deve agradar apenas aos fãs ou iniciados, ou ainda aqueles que vêem alguma graça em efeitos visuais exagerados e ensurdecedores. Com uma história confusa que não leva a lugar nenhum e momentos tediantes encabeçados pelo mutante Mr. Manhantan (vivido por Billy Crudup, a única personagem que faz algum sentido afinal, por mais fantasioso que seja), o maior erro do filme é não definir se os “heróis” tem ou não super-poderes. O excesso de efeitos visuais e o fetiche pelas lutas em câmera lenta, ao já saturado estilo "Matrix", colocam o espectador em dúvida acerca de origem das personagens. Depois de alguns flashbacks – recurso muito utilizado pelo filme para explicar fatos do presente – que tornam o filme uma colcha de retalhos, entende-se que, na verdade, os heróis são apenas humanos. Portanto, é constrangedor vê-los em fantasias esdrúxulas que os fazem parecer uma Liga da Justiça do Paraguai.

Para piorar, coloca os heróis em situações no mínimo embaraçosas – como na cena em que a capacidade sexual do Coruja (vivido por Patrick Wilson) é colocada em dúvida – na tentativa de nos fazer lembrar que são humanos. “Hellboy” traz heróis com problemas de relacionamento com um pouco mais de naturalidade. Como se isso não bastasse, a seleção musical, que vai de “Unforgettable” a “Hallelujah” (a mesma usada em “Shrek”), torna algumas cenas irritantes.

O filme começa com o assassinato do Edward Blake (Jeffrey Dean Morgan), conhecido como o Comediante, um dos membros do Watchmen, um grupo de vigilantes criado nos anos 1940 para combater gangues que atacavam usando máscaras que dificultavam a identificação dos bandidos. Como uma brincadeira de criança, os vigilantes, membros da polícia, resolvem se unir e defender a cidade também fantasiados.

Com a Guerra Fria e um fictício governo Nixon – olha ele de novo – como pano de fundo, a história tenta apelar para um niilismo que não convence, a não ser pelo desempenho de James Earle Haley, o Rorschach. Afinal, como já sabemos como termina o conflito entre os Estados Unidos e a União Soviética, o plano executado por Ozymandias (Matthew Goode), o homem mais inteligente do mundo, que acabaria de uma vez com todas as possibilidades de uma guerra nuclear, parece estúpido e infantil. Cheio de clichês do gênero, como o questionamento se cabe a eles ou não salvar o mundo ou ainda heróis-aposentados-que-voltam-à-ativa (o que “Os Incríveis” faz bem melhor), “Watchmen” acaba com uma referência explícita ao 11 de setembro, o que também já deu o que tinha que dar. Como diz o Comdeiante, é uma grande piada. Pena que muito sem graça.

FICHA TÉCNICA

Título: "Watchmen – O Filme"
Título original: Watchmen
País: EUA
Ano: 2009
Direção: Zack Snyder
Roteiro: David Hayter e Alex Tse, baseado em HQ de Alan Moore e Dave Gibbons
Elenco principal: Patrick Wilson, Jeffrey Dean Morgan, Billy Crudup, Matthew Goode, Carla Gugino, James Earle Haley.
Duração: 163 min.
Gênero: Ação
Sinopse: Ambientado numa realidade fictícia norte-americana nos anos 80, um grupo de super-heróis aposentados começa a ter sua vida ameaçada. Rorschach (Jackie Earle Haley), detetive que usa uma máscara desfigurada, e o Coruja (Patrick Wilson) passam a investigar a identidade do vilão antes que suas próprias vidas corram perigo.
Estréia: 6 de março de 2009